Amizade em manuscritos: estudo analisa dedicatórias de livros entre Rachel de Queiroz e Manuel Bandeira
Movimento artístico e cultural que teve início com a Semana de Arte Moderna de 1922, o Modernismo promoveu uma transformação nas artes do País ao valorizar a experimentação estética, a identidade brasileira e o regionalismo. Como expoentes dessa vertente estão vários nomes do panteão da literatura nacional, como Mário de Andrade, Graciliano Ramos, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles.
Os escritores Manuel Bandeira e Rachel de Queiroz figuram entre os notáveis da primeira e segunda fases do Modernismo no Brasil, respectivamente. Além de vivenciarem o fervor das inovações na cultura e na sociedade brasileira naquele período, os literatos compartilharam uma relação de estima e amizade que foi eternizada em uma coleção de manuscritos datados entre as décadas de 1940 e 1960.
Os pequenos textos em formato de dedicatória de livros foram objeto de pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal do Ceará, que traçou um verdadeiro retrato dos afetos entre os artistas e o contexto social e artístico da época em que viveram. De autoria da bibliotecária Ana Wanessa Bastos, o estudo teve duração de dois anos e focou no material das coleções Rachel de Queiroz, disponível na Biblioteca Central da Universidade de Fortaleza (Unifor); e Manuel Bandeira, que integra o catálogo da Academia Brasileira de Letras (ABL).
ASPECTOS SOCIAIS
A investigação acerca das dedicatórias não apenas traz à tona detalhes da amizade entre dois grandes escritores, mas também provê informações acerca do cenário social no qual o modernismo brasileiro se desenvolveu.
“As dedicatórias analisadas abrangem o período histórico e cultural marcado pela valorização da identidade nacional e pela modernização do país. Reporta-se a uma época de efervescência, com a atuação de artistas de destaque, como é o caso dos modernistas”
Ana Wanessa Bastos, autora da pesquisa
Durante a busca geral do acervo de Rachel de Queiroz, Ana Wanessa identificou, ao todo, 950 dedicatórias de livros, redigidas por diversos autores. Os temas presentes abrangem desde arte e literatura a história e política, revelando valores e simbologias vinculadas aos seus tempos e a seus redatores. Outro destaque é que a maior parte desses manuscritos datam da década de 1980, após a entrada de Rachel de Queiroz na Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1977; a primeira mulher a integrar o grupo de imortais da ABL.
Fonte: Agência UFC
Uma matéria de: Cristiane Pimentel
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