Área do cabeçalho

Baixo peso ao nascer, analfabetismo e pré-natal insuficiente são determinantes para a desnutrição infantil no Brasil

Entre os 100 indicadores de monitoramento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) no Brasil, cinco são determinantes para a persistência da desnutrição infantil: o analfabetismo na população com 15 anos ou mais e o pré-natal insuficiente, observados sobretudo na região Norte; a prevalência de população ocupada entre 10 e 17 anos e o baixo peso ao nascer, mais recorrentes na região Sul; e a prevalência de mulheres de 15 a 24 anos que nem estudam nem trabalham, principalmente no Norte e Nordeste. É o que indica artigo de pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) publicado na “Revista Brasileira de Epidemiologia”.

Com isto, a meta de redução da desnutrição infantil estabelecida até o ano de 2025 não será cumprida pelo Brasil, diz o estudo. Os ODS estimam acabar até 2030 com todas as formas de desnutrição, e atingir, até 2025, a redução de 40% no atraso no crescimento e, em relação ao baixo peso em crianças menores de 5 anos, sua redução e manutenção em menos de 5% da população. Já as metas nacionais, consideradas pelo estudo, incluem a baixa estatura para a idade em no máximo 3%. A maioria dos municípios que atingiram as metas estão no Sul (86,5%) e no Sudeste (81,8%). Nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, os percentuais de municípios que atingiram a meta foram 70, 67,1 e 66%, respectivamente.

Entre os resultados mais surpreendentes, está a presença do indicador de baixo peso ao nascer como um dos determinantes da desnutrição infantil ser mais prevalente na região Sul.

“As possíveis explicações seriam as altas taxas de subnotificação de nascidos vivos no Norte e a elevada taxa de partos cesáreos no Sul, relacionados à interrupção de gestações de risco, com consequente redução da idade gestacional, aumento da prematuridade e viabilidade de recém-nascidos com baixo peso extremo”

Eliete Costa Oliveira, nutricionista doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UFMA e primeira autora do artigo

Segundo Oliveira, as possibilidades de combate à desnutrição infantil devem passar pela melhoria na gestão dos recursos e o aumento de investimento nas regiões mais afetadas.

Fonte: Agência Bori

Saiba mais: Baixo peso ao nascer, analfabetismo e pré-natal insuficiente são determinantes para a desnutrição infantil no Brasil