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Concentração de dióxido de carbono na atmosfera é o mais alto dos últimos 800 mil anos

O Relatório do Estado Global do Clima, publicado pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês), apresenta dados considerados chave para monitorar o sistema climático global. Além de reiterar a necessidade de modificar a trajetória global e reduzir as emissões de gases de efeito estufa e investir em sistemas meteorológicos e de alertas para proteger a população dos impactos de eventos extremos, os especialistas que apresentaram os resultados demonstraram preocupação com o aumento da temperatura do mar.

O documento apresenta informações sobre temperatura da superfície e aquecimento do oceano; composição atmosférica; acidificação do oceano e nível do mar; além de dados sobre glaciais e extensão de gelo no Ártico e na Antártida.

A concentração atmosférica de dióxido de carbono atingiu o nível mais alto dos últimos 800 mil anos. Os dados mais recentes, de 2023, apontam que, comparado à era pré-industrial, a concentração de metano (CH4) na atmosfera é 266% maior, tendo atingido 336.9 ppb (partes por bilhão). A concentração de dióxido de carbono (CO2) é 151% maior, com 420 ppm (partes por milhão) e de óxido nitroso (N2O) é 124% maior, com 1934 ppb. O monitoramento em tempo real em 2024 aponta para o contínuo aumento das emissões de GEE.

O relatório confirma 2024 como o ano mais quente, e aponta que todos os últimos dez anos foram, individualmente, os mais quentes em 175 anos de medições. As temperaturas recordes de 2024 foram incrementadas, principalmente, pelo aquecimento global. O El Niño exerceu papel secundário processo e outros fatores, como mudanças no ciclo solar e a redução de aerossóis de resfriamento, também contribuíram.

“O relatório da Organização Meteorológica Mundial aponta que todos os indicadores degradaram em relação ao ano anterior”, avaliou o diretor do Departamento para o Clima e Sustentabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Osvaldo Moraes. Lembrando que o relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima 1,5 graus, publicado em 2018, já apontava nesta direção, ainda que indiretamente.

O diretor explicou que  os planos e ações de adaptação devem ser prioridades. “Pois as ações de mitigação não estão sendo efetivas. Temos de aprofundar os esforços de mitigação, mas devemos, também, nos prepararmos para uma nova normal climatológica que já não é mais cenário”, disse. 

Fonte: Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação

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