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Dois novos tratamentos da UFC para o câncer de próstata inovam ao utilizar nanotecnologia e são promessa de menos efeitos colaterais

Elas são partículas um milhão de vezes menores que um botão de camisa de um centímetro, mas se apresentam como promessa de um tratamento mais eficaz e com menos efeitos colaterais para uma das doenças que mais mata no Brasil e no mundo: o câncer de próstata. A utilização de nanopartículas para tratar esse tipo de tumor vem sendo investigada por diferentes pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), e dois desses inovadores estudos acabaram de garantir cartas-patentes e avançam em busca de uma futura aplicação em seres humanos. 

A primeira delas busca um tratamento mais seguro e eficaz para a doença em estágio mais avançado. Os pesquisadores desenvolveram lipossomas, que são pequenas bolsas de gordura biodegradáveis, invisíveis a olho nu, que podem encapsular substâncias, e são a classe de nanomedicamentos mais estudada e com resultados mais consistentes.  

Na novidade trazida pelos cientistas, esses lipossomas encapsulam um fármaco anticâncer chamado de cabazitaxel. Além disso, na superfície desses lipossomas, está ligado um anticorpo chamado de cetuximabe, que faz o papel de “encaminhar” o fármaco para o local do tumor, onde ele será liberado.

É como se o anticorpo fosse a chave, e a célula com câncer, a fechadura. Dessa forma, o anticorpo levaria o lipossoma que carrega o medicamento diretamente para células doentes. Lá, o lipossoma libera o fármaco de forma mais inteligente, fazendo com que tecidos sadios recebam menor quantidade desse químico. Isso pode representar um grande avanço, uma vez que os efeitos do cabazitaxel em células saudáveis são muito severos, podendo causar anemia, náusea, entre outros efeitos colaterais nos pacientes.

A segunda invenção utiliza duas substâncias de origem natural no combate ao câncer de próstata, reunidas em uma nanoemulsão, que são dispersões de óleo em água ou água em óleo, com gotículas na faixa de 20 a 500 nanômetros. Para se ter uma ideia dessa proporção, basta saber que um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro.

A primeira substância é o ácido betulínico, originada do metabolismo de várias espécies vegetais, especialmente da bétula branca, árvore também chamada de vidoeiro-branco. Diversos estudos já identificaram que o ácido possui efeitos antitumorais significativos contra melanoma, câncer de próstata, câncer de mama, câncer colorretal e câncer de pulmão, contudo, a substância tem baixa solubilidade, o que restringe a sua aplicação e impede sua utilização como medicamento anticâncer. 

Para solucionar essa questão, os pesquisadores decidiram encapsular o ácido betulínico em uma nanoemulsão que usa o óleo da Calotropis procera, planta utilizada na medicina tradicional de várias culturas e facilmente encontrada no semiárido nordestino, conhecida popularmente como “bombardeira”, “flor de seda”, “paina-branca”, “algodoeiro de seda” ou “bom-dia”.

Fonte: Agência UFC

Uma matéria de: Sérgio de Sousa

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