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Exploração de baleias, garoupas e peixes-boi desde 1500 levou ao declínio da megafauna marinha brasileira

Populações atuais de baleias, garoupas e peixes-boi carregam as marcas da exploração histórica na costa brasileira, que resultou em redução populacional, diminuição de tamanho, além de mudanças comportamentais e no papel ecológico desempenhado pelas espécies. É o que mostra um estudo conduzido pelas pesquisadoras Carine Fogliarini e Mariana Bender, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), publicado na revista Ocean & Coastal Management.

Para reconstruir a trajetória da megafauna marinha no Atlântico Sudoeste, que banha parte da costa brasileira, a equipe analisou mais de 200 documentos históricos sobre a fauna vertebrada da região. Foram inúmeras visitas aos acervos de museus como o Museu Nacional e a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, além do Instituto Ricardo Brennand e da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, e buscas em acervos digitais. O material reuniu livros, relatórios, periódicos, desenhos, pinturas e fotografias produzidos entre 1500 e 1911. Esses registros sobre o passado populacional de baleias, garoupas e peixes-boi foram comparados com estatísticas atuais de desembarque registradas em relatórios pesqueiros.

Os documentos analisados revelam mais de 380 anos de caça às baleias, prática que só foi proibida em 1986. A atividade era impulsionada pela demanda por óleo, ossos e outros produtos amplamente usados no cotidiano da época. A pressão sobre as garoupas também foi intensa: registros de 1870 apontam desembarques entre 2,5 e 3,2 mil toneladas em uma única região.

“Como têm crescimento lento e são muito vulneráveis durante a reprodução, as populações atuais de garoupas refletem esse impacto histórico; ficaram menores, mais jovens e menos resilientes”

Aponta Carine Fogliarini.

Já a caça ao peixe-boi, voltada tanto para a alimentação quanto para a extração de derivados, ganhou força no início dos anos 1800 e continuou a crescer ao longo do século 20, resultando em forte declínio populacional e na proibição da prática em 1973.

Os achados indicam que outras pressões têm se somado à caça mesmo após o fim das capturas comerciais de peixes-boi e baleias. Apesar do fim da caça, baleias e peixes-boi enfrentam hoje ameaças como colisões com embarcações, perda de habitat, ruído submarino e mudanças climáticas.

Fonte: Agência Bori

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