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Má fama das piranhas se dá por falsos especialistas e manchetes exageradas

As piranhas são precedidas por sua reputação: temíveis peixes assassinos, autores de ataques violentos retratados em filmes de Hollywood. Na realidade, os ataques de cardumes são raríssimos e não comprovados — mas a percepção negativa dos peixes é corroborada pela cobertura midiática no Brasil, tirando a atenção do impacto ambiental provocado pelo próprio ser humano, que contribui para as mordidas.

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de Taubaté relatam as manchetes como exageradas, dando atenção indevida às ocorrências, que, na realidade, são raras e costumam ser influenciadas pela ação antrópica (ou seja, humana), como o descarte de restos orgânicos em lagos e represas, somada ao comportamento protetor de ovos dos machos. A análise foi publicada na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

Ovteor da cobertura midiática foi avaliado por meio de notícias veiculadas entre 2012 e 2022, considerando somente os estados com mais de 20 indivíduos feridos reportados no período. Dos 13 estados incluídos no estudo, Tocantins teve 309 ocorrências relatadas, sendo mordidas únicas, causadas pela água represada e alimentos descartados no local. Em seguida, Roraima e São Paulo tiveram 140 e 78 ferimentos, respectivamente, pelos mesmos motivos. Em Alagoas, foram 68 ferimentos relatados, com associados à época de reprodução das piranhas, e no Paraná, foram 40 mordidas únicas — novamente, causadas pela água represada e descarte de alimentos.

As mordidas de piranha geralmente causam ferimentos leves a moderados, como pequenas perdas de pele e, mais raramente, de tecido muscular ou ósseo. Em uma década, dos 711 casos registrados no Brasil, a maioria (82%) envolveu mordidas únicas nas mãos ou pés, resultando apenas em perda de pele. Apenas 0,7% dos casos foram considerados sérios, com perda de tecido muscular e, ocasionalmente, ósseo. Houve um único caso (0,14%) de morte isolada, onde a vítima foi encontrada com ferimentos compatíveis com mordida de piranha. Curiosamente, 17% dos pacientes não tiveram seus ferimentos detalhados pela mídia.

Informações locais apontam que quase 30% dos ataques (318 casos) ocorreram durante a época de reprodução das piranhas, enquanto 26% foram causados pelo descarte inadequado de alimentos na água e 15% pela formação de represas para usinas hidrelétricas.

Fonte: Agência Bori

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